O custo da demissão

Todo empreendedor vai passar por isso um dia: não bastasse a árdua missão que é encontrar e contratar pessoas boas, você um dia se depara com o momento de fazer o oposto, demitir alguém.

Por todos os lugares em que trabalhei, sempre há duas relações diretas com uma demissão, num dado momento há um certo fetichismo em demitir alguém que está indo mal ou que incomoda, há apenas uma necessidade de dar uma resposta energética às falhas do empregado, e a demissão é a melhor delas. A outra, acontece logo após a decisão ter sido tomada e é o peso de ter que desligar alguém ou desfazer parte dos planos que - imaginamos - foram criados através da nossa contratação.

Engraçado falarmos dessas duas situações, porque no fundo, ambas representam um sentimento de punição e em seguida de culpa. Juntando toda a minha experiência anterior montando times de desenvolvimento e lidando com projetos, eu percebi que esses dois sentimentos evidenciam uma total falta de percepção do que é na realidade uma contratação.

 A contratação

Sempre num processo de contratação, sem nem entrar no mérito da forma de escolha (indico a leitura Combine do blog 37signals), você está na realidade criando um vínculo de responsabilidade com o contratado. Sempre deixo a cargo do responsável direto do time a decisão final do selecionado e digo em seguida: - Você o contratou e será responsável por treiná-lo, por avaliá-lo, dar feedback e também por demiti-lo. Isso funciona bem porque no fundo a decisão de contratar alguém vai além da simples necessidade de ocupar um cargo. Cria-se esse tal vínculo de responsabilidade, onde o contratado vai saber a todo momento se está respondendo às expectativas do contratante. E o gestor direto sabe que se não houver saída, ficará a cargo dele próprio a tarefa de comunicar o colega da demissão. No fundo, isso fará com que a demissão seja bem melhor pensada e que haja na realidade uma verdadeira vontade de melhorar e lapidar a pessoa antes de simplesmente descartá-la.

 A demissão

E aí entra o fim da questão. Com um bom processo de validação e feedback, não há traumas maiores na hora de demitir alguém, no geral a pessoa em questão já saberá que não está indo bem e que deverá ser demitida. Não culpará os gestores ou mesmo irá sentir-se injustiçada como em um caso de demissão sumária.

 
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Procurando a próxima montanha!

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